A maturidade do governo digital brasileiro costuma ser contada como uma sequência de avanços de interface. Primeiro, digitalizamos balcões, depois melhoramos a…
A maturidade do governo digital brasileiro costuma ser contada como uma sequência de avanços de interface. Primeiro, digitalizamos balcões, depois melhoramos a experiência do usuário. No entanto, o verdadeiro salto de produtividade pública não está na tela, mas na capacidade institucional de orquestrar dados. O ponto central já não é ter o melhor aplicativo, mas saber se o seu município possui o “músculo” necessário para interpretar contextos administrativos e sociais e entregar serviços e direitos com o mínimo de atritos. É aqui que a inteligência artificial revela seu maior potencial. No setor público, ela não deve ser vista apenas como assistente de texto, mas como um motor de execução capaz de integrar fluxos complexos, apoiar decisões recorrentes e ampliar a capacidade operacional. Para não se tornar um adereço tecnológico, porém, exige trilhos institucionais. Na experiência, pude conduzir na Prefeitura de Belo Horizonte entre 2017 e 2025, o foco esteve justamente na implementação de mecanismos e orientações para governança de TIC, inteligência de dados e transformação digital como base estruturante desse estágio. A governança como habilitadora da IA Muitas vezes, a governança é confundida com burocracia ou “freio”. Na realidade, ela é a base para que a IA ganhe escala com segurança e precisão. Sedimentando processos formais de gestão de dados, definindo responsabilidades sobre qualidade cadastral, compartilhamento entre secretarias e proteção das informações pessoais,…